
Na última segunda-feira, eu tinha uma reunião marcada na Barra da Tijuca às dez da manhã e às nove a babá ainda não tinha chegado. Foi a vez de fazer o pai assumir o posto e chegar atrasado no trabalho.
Quando liguei do caminho para saber se estava tudo bem, fiquei sabendo que o Felipe tinha feito um cocô daqueles e que tinha sobrado para o Joaquim trocar a fralda premiada. Desde que recebeu um jato de cocô no peito, quando o Felipe tinha apenas poucos dias de vida, o Joaquim ficou traumatizado e pediu demissão da tarefa. Então, trocar fralda do filho passou a ser um evento raro.
Saí do meu compromisso com uma sensação de papéis invertidos, mas feliz pelo que havia acontecido. Pois é importante dividir tarefas e ter a segurança de que ele “se vira nos trinta”. Quem faz uma retrospectiva do primeiro ano de vida do Felipe, olhando nossas fotografias, tem certeza de que o Joaquim é o pai mais participativo do mundo.
Ele deu o primeiro banho, foi conosco na primeira consulta médica, cortou pela primeira vez as unhas, ofereceu a primeira mamadeira de suco, e também bota de vez em quando para dormir, brinca no parquinho, assiste a filminho no iPad. Está tudo registrado. Ele, de fato, é um excelente pai.
Hoje há uma valorização bacana dos pais que põem a mão na massa na hora da criação dos filhos. E até um pouco exagerada… Pois eu, que estou sempre a postos e por trás das câmeras, para não perder esses momentos singulares, não recebo metade dos confetes… É que a sociedade entende isso como parte da minha obrigação.
Copio aqui um trecho de um texto que recebi por e-mail com o qual concordei e que me fez refletir. É uma carta de uma mãe que acaba de descobrir que a filha está grávida. “O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.”
Nas aulas de natação que frequento com meu filho, vejo sempre um pai com a filha. Isso é uma coisa natural que, na geração dos meus pais, era quase impossível de ver, ou era vista até com certo preconceito. Viva o pai que é um pouco mãe!
Tenho o privilégio de ter ajuda de babá e folguista, mas faço um alerta. Os pais ficam um pouco intimidados e acomodados quando elas estão em ação. É importante ficarmos sozinhos de vez em quando para dar espaço à paternidade plena.
Costumo dispensar a folguista no domingo para justamente ter esse momento de maior intimidade em família. São sempre dias muito felizes. Dias em que tiramos muitas fotos mais…